CAPÍTULO 86
PACIFICAÇÃO DOS GRAHAS
GRAHA ŚĀNTI
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Traduzido por Karen de Witt
© Todos os direitos reservados.
O livro está disponível para leitura on-line, mas não pode ser comercializado.
Somente os Ślokas foram traduzidos, preservando-se o trabalho didático do autor com suas análises e consequentes observações.
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86:1
– Maitreya disse: Oh sábio! Explique brevemente quais são as medidas de
pacificação para aliviar os doṣas dos planetas para benefício da humanidade.
86:2-3
– Maharṣi Parāśara responde: Oh grande Brāhmin! Quaisquer que sejam as
características e atributos dos Navagrahas (nove planetas), eu descrevi todos
os sofrimentos e felicidades dos seres viventes sob a influência desses
planetas. Portanto, para alcançar a paz, prosperidade contínua, conhecimento
virtuoso imaculado, chuva adequada, boa longevidade, saúde e força virtuosa, as
medidas propiciatórias e os diferentes yagñas (ritos de fogo, homa) desses
planetas devem ser realizados com devoção.
86:4-5
– A imagem de Sūrya deve ser feita de cobre (Tāmra); de Candra, de cristal
translúcido (Sphaṭika); Kuja, de madeira de sândalo (Candana); Budha e Guru, de
ouro (Svarṇa); Saturno, de prata (Rajata); Rāhu, de chumbo (Sīsaka); e Ketu de metal
de sino (Kaṁsyat). As características dos vários planetas são esboçadas em um
tecido de seda das cores descritas anteriormente, com pasta de sândalo e
instaladas nas direções assinaladas para cada planeta como já explicado.
86:6
– Sūrya (Sol) está assentado em um lótus, adornado com um lótus vermelho em uma
mão e é igual em esplendor a um lótus. Sua carruagem é puxada por sete cavalos (saptaśvarapor)
dois braços.
86:7
– Candra (Lua) deve ser visualizado devidamente trajado com roupas brancas,
dirigindo uma carruagem puxada por dez cavalos, ornamentado com ornamentos
brancos, segurando uma clava (gadā) em uma mão e concedendo bênçãos (varada) com
a outra.
86:8
– Adornado por uma mālā (rosário) vermelha e trajado com roupas vermelhas,
possuindo quatro braços sustentando uma espada (śakti) , um machado (śūla) e
uma clava (gadā) enquanto a outra mão faz a mudrā de conceder bênçãos (varada)
e montando um cordeiro (meṣa), deve-se visualizar Maṅgala (Marte).
86:9
– Budha (Mercúrio) deve ser visualizado utilizando uma guirlanda amarela,
roupas amarelas, possuindo uma mālā (rosário) amarela, possuindo o esplendor
como as flores de kanera, segurando uma espada (khaḍga), um escudo (carman),
uma clava (gadā) e na outra mão fazendo o gesto (varada) de conceder bênçãos.
86:10
– Guru (Júpiter) e Śukra (Vênus) devem ser visualizados, respectivamente, em
roupas amarelas e brancas. Ambos possuem quatro braços, seguram um bastão (daṇḍa),
um rosário (akśasutra), um jarro (kamaṇḍala) e a quarta mão faz o gesto de
conceder bênção (varada).
86:11
– Oh Brāhmin! Com o brilho da cor azul escura e com quatro braços segurando um
machado (śūla), um arco (dhanu ), uma flecha (bāṇa) e com a outra mão fazendo o
gesto de conceder bênçãos, montando em um abutre (gṛdhra vāhana), Śani deve ser
percebido (visualizado).
86:12
– Rāhu deve ser fixado com uma face (vadana) feroz (karāla) e quatro braços
segurando uma espada (kaḍga), um escudo (carman), um machado (śūla) e com a
outra mão fazendo o gesto de conceder bênçãos, da cor azul escura (nīlavarṇa) e
montado em um leão (siṁha).
86:13
– Ketu foi descrito de muitas formas em diferentes escrituras. Ele é da cor da
fumaça (dhūmra) com dois braços, segurando uma clava (gadā) e com a outra mão
fazendo o gesto de conceder bênçãos, sentado sobre um abutre (gṛdhra) e
possuindo uma velocidade estável.
86:14
– Todos os ídolos devem ser feitos com uma coroa e possuir 108 dedos (aṅgula)
de comprimento.
86:15-16
– Os planetas devem ser adorados com (1) flores (puṣpāṃ), (2) roupas (vasanaṃ)
das cores dos planetas descritas nos Ślokas anteriores, (3) sândalo (gandhaṁ),
(4) lamparina (dīpa) e oferecendo oblações (baliṁ) de (5) dhūpa e guggula
(ambos são essências usada como incenso). Os metais dos ídolos dos planetas e
os alimentos queridos para eles como significado pelos planetas são doados em
caridade com plena devoção para alívio das aflições.
86:17-20
– Maharṣi Parāśara disse: Oh Maitreya! O Mantra do Sol deve ser repetido 7.000
vezes. O mantra da Lua deve ser repetido 11.000 vezes. O mantra de Marte deve
ser repetido 10.000 vezes. O mantra de Mercúrio deve ser repetido 9.000 vezes. O
mantra de Vênus deve ser repetido 16.000 vezes. O mantra de Saturno deve ser
repetido 23.000 vezes. O mantra de Rāhu deve ser repetido 18.000 vezes. E o
mantra de Ketu deve ser repetido 17.000 vezes. Assim deve ser feito para
aliviar os maus efeitos dos planetas.
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MANTRAS DOS NAVAGRAHAS
Esses
mantras possuem a métrica védica e não são indicadas para pessoas que nunca
tiveram aulas de sânscrito ou que não são paṇḍits formados nas regras de
Chandas. Eles foram extraídos dos Vedas e mencionados por Parāśara. Ao invés
disso, os bījas mantras dos planetas devem ser recitados com o mesmo efeito.
Ainda assim, vou descrever para vocês os mantras de acordo com Parāśara e a
tradução e significado deles.
1
– Sūrya Deva
Ṛk Veda,
Maṇḍala 1, Sūkta 35, verso 2
आ कृष्णेन रजसा वर्तमानो निवेशायन्नमृतं मर्त्यं च।
हिरणययेन सविता रथेना देवो याति भुवनानि पश्यन् ॥
ā kṛṣṇena rajasā vartamāno niveśāyannamṛtaṁ martyaṁ ca |
hiraṇayayena savitā rathenā devo yāti bhuvanāni paśyan ||
Presente no céu, habitando em ambos, mortal e immortal,
O Deus Desperto, em sua carruagem dourada, dá entendimento a todos
os seres.
2
– Candra Deva
Śukla
Yajur Veda 9.40 e 10.18
इमं देवा असपत्नं सुवध्वं महते ।
क्षत्राय महते ज्यैष्टयाय महते जानराज्यायेन्द्रस्येन्द्रियाय॥
imaṁ
devā asapatnaṁ suvadhvaṁ mahate |
kṣatrāya mahate jyaiṣṭayāya mahate jānarājyāyendrasyendriyāya ||
Para grande domínio, para grande liderança, para soberania, para o
poder de Indra,
Oh deuses, apresse-o para ser sem um rival e se tornar grande.
3
– Maṅgala Deva
Ṛk
Veda, Maṇḍala 8, Sūkta 44,
verso 16
अग्निर्मुर्धा दिवः ककुत्पतिः पृथिव्या अयम्।
अपां रेतांसि जिन्वति॥
agnirmurdhā divaḥ kakutpatiḥ pṛthiavyā ayam |
apāṁ retāṁsi jinvati ||
Agni é o dirigente do paraíso, senhor dos chefes.
Quem anima o poder criativo da água.
4
– Budha Deva
Yajur
Veda 15.54
उद्बुध्यस्वाग्ने प्रति जागृह त्वमिष्टापर्ते संसृजेथामयं च।
असिमन् सधस्थे अद्युतरस्मिन् विश्वे देवा यजमानश्च सीदत॥
udbudhyasvāgne
prati jāgṛha tvamiṣṭāparte saṁsṛjethāmayaṁ ca |
asiman sadhasthe adyutarasmin viśve devā yajamānaśca sīdata ||
Desperte Agni, esteja atento para dar sua doçura sazonal.
Que todos os devas se sentem com o adorador no local de encontro.
5
– Bṛhaspati Deva
Ṛk Veda, Maṇḍala
2, Sūkta 23, verso 15
बृहस्पते अति यदर्यो अर्हाद् द्युमद् विभाति क्रतुमज्जनेषु ।
यद् दीदयच्चवस र्तप्रजात तदस्मसु द्रविणं धेहिचित्रम् ॥
bṛhaspate ati yadaryo arhād dyumad vibhāti kratumajjaneṣu |
yad dīdayaccavasa rtaprajāta tadasmasu draviṇaṁ
dhehicitram. ||
Bṛhaspati, o mais amável, brilhante por seu mérito,
brilhando entre as pessoas sábias,
Conceda-nos riqueza para que possamos cumprir o próprio
bem.
6
– Śukra Deva
Yajur
Veda 19.75, Vājasaneyi-Saṁhitā 19.75A, Maitrāyaṇī saṁhitā 3.11.6A,
149.1,
Kāthakam 38.1, Taittirīya brāhmaṇa 2.6.2.2ª
अन्नात् परिस्त्रु रसं ब्रह्मणा व्यपिबत् क्षत्रं पयः सोमं प्रजापतिः।
ऋतेन सत्यमिनिद्रयं विपानं शुक्रमन्धस इन्द्रस्येन्द्रियमिदं पयोमृतं मधु॥
annāt paristru rasaṁ brahmaṇā vyapibat kṣatraṁ payaḥ somaṁ
prajāpatiḥ |
ṛtena satyaminidrayaṁ vipānaṁ śukramandhasa |
indrasyendriyamidaṁ payomṛtaṁ madhu ||
A nutrição flui em abundância a partir da essência (rasa) de deus,
Dando poder/domínio ao senhor da criação com leite e soma.
O piedoso Vênus, rei dos sentidos,
Ordene bebida, verdade, e poder como o leite, amṛta e mel.
7
– Śani Deva
Ṛk Veda,
Maṇḍala 10, Sūkta 9, verso 4
शं नो देवीरभिष्टय आपो भवन्तु पीतये।
शं योरभि स्त्रवन्तु नः।
śaṁ no devīrabhiṣṭaya āpo bhavantu pītaye |
śaṁ yorabhi stravantu naḥ ||
Que a deusa nos favoreça com paz,
E abençoe-nos com águas divinas para beber,
E deixe saúde e força fluir para nós.
8
– Rāhu
Ṛk Veda, Maṇḍala 4, Sūkta 31, verso 1
कया नश्चित्र आ भुवदूती सदावृधः सखा ।
कया शचिष्ठया वृता ॥
kayā naścitra ā bhuvadūtī sadāvṛdhaḥ sakhā |
kayā śaciṣṭhayā vṛtā ||
Oh mensageiro do céu, sempre prosperando, amigo.
De que maneira, e por qual método, podemos alcançar clareza.
9
– Ketu
Ṛk Veda, Maṇḍala 1, Sūkta 6, verso 3
केतुं कृवन्नकेतवे पेशो मर्या अपेशसे समुषद्भिरजायथाः ॥
ketuṁ kṛvannaketave peśo maryā apeśase samuṣadbhirajāyathāḥ ||
A consciência nasce como a aurora no homem,
Dando brilho à chama, e forma ao informe.